Carmini
Gazette27 de dez. de 2025
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Melasma: uma convivência aprendida

Melasma: uma convivência aprendida

 
Durante muito tempo, tratei minha pele como algo a ser resolvido. Buscava soluções para coisas que, muitas vezes, eu nem entendia direito. Isso não foi diferente com o melasma. Sempre tive sardas desde muito nova, andando no sol, no calor, sem protetor solar, o que era contraditório: eu sempre fui vaidosa, sempre cuidei da minha pele. Máscaras de argila, receitas caseiras, esfoliações improvisadas. Mas o protetor solar nunca foi prioridade. Até que as sardas começaram a mudar. Já não eram mais pontinhos isolados. E foi aí que ficou claro: não eram “ pintinhas ”. Era melasma.


ENTENDER AS CAUSAS

O primeiro passo foi tentar entender o que fazia meu melasma aflorar. Além da predisposição genética e da exposição solar sem proteção, havia outro fator importante: resistência à insulina.




Com o tempo, conciliando alimentação e  atividade física, consegui melhorar esse quadro. Mas isso, sozinho, não foi suficiente. Foi nesse ponto que minha jornada no   skincare começou de forma mais estruturada.

  

TESTES, LIMITES E RECORRÊNCIAS


Testei praticamente todos os ativos clareadores que você pode imaginar. 

Tretinoína. Ácidos de todos os tipos. Hidroquinona, o tratamento padrão para melasma que foi, de longe, o ativo que mais trouxe resultado visível. Mas também deixou minha pele extremamente sensível e trouxe um risco real de efeito rebote. Meses depois da interrupção, o melasma voltou. 
Foi quando ficou claro que o problema não era falta de ativos e sim uma rotina totalmente
descompensada pela pressa do resultado.  Resolvi então procurar outras alternativas.




MITOS SOBRE O MELASMA







• Melasma tem cura: 
Existe uma ideia muito difundida de que o melasma pode ser curado definitivamente. O que se observa na prática é outra coisa: é uma
condição de controle. Algumas pessoas conseguem mantê-lo estável por muitos anos e outras convivem com gatilhos constantes, hormonais, solares ou inflamatórios. 
O que muda não é a existência do melasma, mas o nível de controle ao longo do tempo.

 

 

 

 

 

 

  • Peles mais escuras não têm risco : Existe também o mito de que pessoas em fototipos mais altos na escala de Fitzpatrick ou escala Monk (MST) não têm risco de melasma ou manchas solares. Isso não é verdade. Tom de pele não elimina risco de hiperpigmentação. Tons mais escuros podem apresentar menor risco de queimadura solar, mas maior propensão a manchas persistentes, como melasma e hiperpigmentação pós-inflamatória. A produção de melanina protege parcialmente, mas não impede danos. A melanina age como um filtro natural, porém não bloqueia completamente os efeitos da radiação UV, da luz visível ou do calor. Manchas em peles mais escuras tendem a ser mais duradouras. Quando a hiperpigmentação ocorre, o processo de clareamento costuma ser mais lento, exigindo constância e estratégias específicas. Proteção e cuidado não são opcionais para nenhum fototipo.

 

 

PARA ENTENDER MELHOR:

 

A Escala Monk é um sistema de classificação de tons de pele desenvolvido para ampliar e corrigir limitações de escalas anteriores, especialmente no que diz respeito à diversidade real de tonalidades humanas. Diferente de classificações baseadas apenas na reação ao sol, a Escala Monk organiza os tons de pele de forma contínua, do mais claro ao mais escuro, considerando variações sutis de pigmentação que muitas vezes não eram representadas. Ela é amplamente utilizada em estudos contemporâneos de imagem, saúde e tecnologia para evitar generalizações incorretas e garantir representatividade mais precisa. A observação deve ser feita em luz natural, sem interferências, e de forma aproximada, já que a pele não se encaixa em categorias rígidas. A identificação da tonalidade auxilia na compreensão do risco de hiperpigmentação e na escolha de estratégias de fotoproteção mais adequadas, sem substituir a avaliação profissional.

 

O QUE SE MANTEVE                                                       

 

Um plano mais estável. Depois de testar abordagens mais agressivas, percebi que minha pele não respondia bem à lógica de intensidade. Como tenho pele sensível, passei a estruturar um tratamento mais estabilizado, focado em constância. Durante o dia, incluí uma vitamina C em uma concentração que minha pele tolera bem, principalmente para ajudar na luminosidade e no aspecto geral da pele. Associado a isso, passei a usar um ativo clareador mais suave, como fórmulas à base de niacinamida e ácido tranexâmico, como o Dark Spot Corrector da Axis-Y ou o Dark Brightening Cream da Celimax. À noite, mantenho outro ativo clareador, escolhido de acordo com a tolerância da minha pele naquele período, com o objetivo de manter o melasma sob controle, e não de forçar uma resposta rápida. Além dos ativos tópicos, a proteção solar com cor se tornou indispensável. O uso é diário, inclusive dentro de casa, já que a luz visível também atua como gatilho para o melasma.

 

Ativos clareadores mais utilizados no tratamento do melasma e da hiperpigmentação pós-inflamatória (A escolha e a combinação dependem do tipo de pele, tolerância e acompanhamento profissional.)

 

  • Hidroquinona (padrão clássico, uso limitado e controlado)

 

  • Alpha-arbutin 

 

  • Tretinoína

 

  • Vitamina C 

 

  • Ácido Azelaico

 

  • Ácido Kójico

 

  • Ácido Tranexâmico (apresenta melhor evidência quando utilizado por via oral, mas também pode oferecer benefício no uso tópico)

 

  • Niacinamida

 

  • Thiamidol (Isobutylamido Thiazolyl Resorcinol)

 

  • Ácido Glicólico

 

  • Ácido Mandélico

 

  • Ácido Láctico

 

 




SUPLEMENTOS QUE PODEM AJUDAR

 

Os suplementos abaixo podem auxiliar no controle do melasma, mas é importante reforçar: consulte sempre um dermatologista antes de iniciar qualquer suplemento novo. Eles possuem algum nível de evidência científica, porém não são cura, e os resultados variam de pessoa para pessoa. Nesta página, listo algumas opções que podem ou não funcionar, dependendo do caso.

 

  • Polypodium leucotomos Fotoprotetor oral com ação antioxidante, pode ajudar a reduzir inflamação e prevenir a volta do danado, quando associado ao uso de protetor solar.

 

  • Pycnogenol (extrato de pinheiro) Antioxidante que pode contribuir para a melhora gradual da hiperpigmentação ao atuar na inflamação e microcirculação da pele.

 

  • Glutationa Associada à inibição da produção de melanina. A eficácia da forma oral ainda é discutida. Vitaminas antioxidantes Vitamina C, vitamina E e niacinamida podem atuar como suporte antioxidante, mas não clareiam manchas isoladamente.

 

  • Ácido tranexâmico Ativo com boa evidência para melasma resistente, porém o uso oral deve ser feito apenas com acompanhamento médico devido a riscos.

 

  • Zinco Mineral de suporte antioxidante, não é clareador direto, mas pode auxiliar na resposta cutânea.

 

Para referência:

 

 

 

    

 

Heliocare é um dos suplementos que   utilizo, especialmente no verão. Com   Polypodium leucotomos, ajuda a reduzir o impacto da radiação UV no organismo, atuando como fotoproteção oral complementar.

 

 

No fim das contas, o melasma me ensinou mais sobre limite do que sobre resultado. Depois de testar abordagens mais agressivas, promessas rápidas e soluções que pareciam boas no papel, ficou claro que minha pele não responde à pressa. Ela responde à constância. Entender o melasma como uma condição de controle, e não como algo que precisa ser “ resolvido ” , mudou completamente a forma como eu cuido da minha pele. Não só em termos de produtos, mas de expectativa. Informação não apaga manchas sozinha mas evita erros, frustrações e aquela sensação constante de que você está fazendo tudo errado. Hoje, o cuidado faz parte da rotina. Sem exagero, sem milagres, sem promessas irreais. O que faz diferença, no fim, não é intensidade. É continuidade.